Vinicius Bessa na Climate Week 2026, em Nova York. (Foto: Emily Bessa)
Nova York voltou a ser, em setembro de 2026, o centro de uma das mais importantes conversas globais sobre o futuro da economia. Durante a Climate Week NYC, líderes empresariais, investidores, governos, especialistas e organizações da sociedade civil se reuniram para discutir não apenas os desafios climáticos, mas, sobretudo, como energia, tecnologia, infraestrutura e capital estão redesenhando a economia mundial.
Mais do que uma agenda ambiental, a Climate Week deste ano evidenciou uma transformação estrutural. A transição energética deixou de ser uma pauta restrita à sustentabilidade e passou a ocupar o centro das discussões sobre competitividade, segurança energética, infraestrutura, investimentos e desenvolvimento econômico.
E talvez nenhuma outra pauta tenha demonstrado essa mudança de forma tão clara quanto a inteligência artificial.
A expansão dos modelos de IA e dos data centers está criando uma demanda extraordinária por energia, infraestrutura e capacidade computacional. Ao mesmo tempo, a própria tecnologia pode acelerar ganhos de eficiência, otimizar sistemas energéticos e contribuir para soluções ambientais em escala. Essa relação entre tecnologia e energia esteve entre os temas centrais dos debates realizados em Nova York.
Foi nesse contexto que o LIDE realizou, em 22 de setembro, a LIDE Climate Conference, na sede da XP Investimentos, em Nova York.
Uma agenda global a partir de Nova York
A conferência reuniu grandes lideranças empresariais, investidores e especialistas para discutir uma questão que considero estratégica para os próximos ciclos da economia internacional: como transformar as vantagens energéticas, ambientais e minerais da América Latina em infraestrutura, investimentos e negócios capazes de atender às novas demandas globais.
Entre os participantes estiveram executivos e especialistas com atuação em finanças, energia, tecnologia, investimentos e sustentabilidade, em uma discussão que conectou diferentes perspectivas sobre o futuro da economia.
A agenda não ficou restrita à transição energética em seu sentido tradicional. O ponto central foi compreender como a crescente demanda por computação, data centers e inteligência artificial está alterando a lógica dos investimentos em energia e infraestrutura.
A convergência entre energia e inteligência artificial já influencia decisões de investimento, competitividade e posicionamento internacional. Ao mesmo tempo, a América Latina reúne ativos importantes, mas precisa transformá-los em projetos estruturantes, infraestrutura e oportunidades capazes de atrair capital.
Essa foi uma das principais conclusões que levo da Climate Week 2026: vantagem comparativa, por si só, não gera desenvolvimento. É preciso transformar recursos, conhecimento e capacidade produtiva em projetos capazes de atrair capital e integrar mercados.
O Brasil diante de uma nova janela de oportunidade
Para o Brasil, essa discussão ganha uma dimensão ainda maior.
O país reúne características que passaram a ser particularmente estratégicas em um mundo pressionado simultaneamente pela necessidade de ampliar a oferta de energia, reduzir emissões, fortalecer cadeias de suprimentos e sustentar a expansão da economia digital.
Energia renovável, recursos naturais, minerais críticos, capacidade industrial, agronegócio e um mercado doméstico de grande escala formam um conjunto de ativos que pode posicionar o Brasil de maneira relevante nas novas cadeias globais de valor.
Mas existe uma diferença importante entre possuir esses ativos e transformá-los em oportunidades concretas.
É justamente nesse ponto que a aproximação entre Brasil e Estados Unidos ganha relevância.
A transição energética exige investimentos de longo prazo. A expansão da inteligência artificial exige energia, infraestrutura e conectividade. A reorganização das cadeias globais exige acesso a minerais críticos. E a combinação dessas três agendas cria oportunidades para países capazes de oferecer recursos, escala, segurança jurídica, infraestrutura e capacidade de execução.
Durante a LIDE Climate Conference, a discussão sobre Energy Transition & AI: From Power Advantage to New Growth Opportunities levou esse debate para uma perspectiva diretamente relacionada às relações econômicas entre Brasil, Estados Unidos e América Latina, incluindo oportunidades em minerais críticos e infraestrutura.
Não se trata apenas de discutir o futuro do planeta. Trata-se também de discutir onde estarão os investimentos, quais países participarão das novas cadeias produtivas e quais empresas estarão preparadas para capturar essa transformação.
O papel das redes empresariais em uma economia cada vez mais internacional
Como Head de Crescimento e Engajamento das Unidades LIDE, acompanho diariamente o desafio de conectar diferentes mercados, lideranças e comunidades empresariais.
A experiência em Nova York reforçou uma convicção profissional que considero cada vez mais importante: networking internacional não pode se limitar à aproximação institucional. Ele precisa criar condições para que conhecimento, capital, empresas e oportunidades circulem entre diferentes mercados.
É nesse ponto que plataformas empresariais globais assumem um papel relevante.
Um evento realizado em Nova York durante a Climate Week não é apenas uma conferência. Quando reúne investidores, executivos, especialistas e representantes de diferentes setores em torno de uma agenda comum, ele cria um ambiente para que diferentes perspectivas se encontrem e para que novas conexões possam surgir.
A participação do LIDE nesse ambiente representa algo maior do que a presença institucional de uma organização brasileira em um evento internacional.
Representa a capacidade de levar uma agenda empresarial brasileira para um dos principais centros financeiros e decisórios do mundo.
Da agenda climática à agenda de crescimento
Talvez a principal mudança observada em 2026 seja justamente essa.
A conversa sobre clima está deixando de ser exclusivamente uma conversa sobre redução de emissões e passando a incorporar uma discussão muito mais ampla sobre crescimento econômico, segurança energética, competitividade, tecnologia e atração de investimentos.
A transição energética precisa de capital.
A inteligência artificial precisa de energia.
A infraestrutura precisa de investimentos.
Os minerais críticos precisam de cadeias de fornecimento mais resilientes.
E os países precisam encontrar maneiras de transformar essas necessidades em desenvolvimento econômico.
Essa convergência cria uma nova fronteira para a atuação empresarial.
Nesse cenário, o Brasil não deve ser visto apenas como fornecedor de commodities ou como um mercado consumidor. Existe espaço para que o país participe de maneira mais sofisticada das cadeias globais de valor, atraindo investimentos, desenvolvendo infraestrutura, agregando tecnologia e criando soluções capazes de atender às demandas de uma economia global em transformação.
O que fica depois da Climate Week
Ao deixar Nova York, uma das principais conclusões que levo comigo é que as grandes transformações econômicas raramente acontecem de maneira isolada.
Energia influencia tecnologia.
Tecnologia influencia infraestrutura.
Infraestrutura influencia investimentos.
Investimentos influenciam competitividade.
E competitividade determina quais países e empresas estarão melhor posicionados na próxima etapa da economia global.
A Climate Week 2026 deixou evidente que essas agendas estão convergindo em uma velocidade cada vez maior.
Para o LIDE, estar nesse debate significa cumprir uma missão que ultrapassa a realização de eventos: aproximar lideranças, estimular conexões internacionais e criar ambientes nos quais ideias possam se transformar em relações empresariais, investimentos e oportunidades concretas.
Para mim, pessoalmente, participar da construção da LIDE Climate Conference em Nova York representou mais um passo nessa trajetória de conexão entre lideranças e mercados.
Acredito que essa será uma das competências mais importantes para os próximos anos: compreender as transformações globais, identificar onde estão as novas oportunidades e, sobretudo, conectar as pessoas capazes de transformá-las em realidade.
A Climate Week termina. A agenda, não.
Ela apenas começa a ganhar uma dimensão ainda maior.
*Vinicius Bessa é head de Crescimento e Engajamento das Unidades LIDE
Fonte original: LIDE



