Miguel Perdigão, general manager de Produtos Financeiros da RecargaPay. (Foto: Reprodução/Linkedin)
A RecargaPay ultrapassou 15 milhões de clientes e caminha para superar R$ 2 bilhões em receita, após encerrar 2025 com faturamento de R$ 1,66 bilhão e volume total transacionado de R$ 33 bilhões. O avanço é sustentado pela ampliação da oferta de serviços financeiros, especialmente empréstimos, cartões de crédito e pagamentos por aproximação pelo celular. As informações são da Bloomberg Línea.
Fundada em 2010 pelos argentinos Rodrigo e Álvaro Teijeiro e por Gustavo Victorica, a fintech levou quase 15 anos para alcançar 10 milhões de usuários, marca atingida em 2024. A chegada aos 15 milhões exigiu pouco mais de 18 meses, e a expectativa da empresa é acelerar o próximo ciclo de expansão.
“Chegar aos 20 milhões vai ser muito mais rápido do que chegar aos 15”, afirma Miguel Perdigão, general manager de Produtos Financeiros da RecargaPay. Historicamente, a base de usuários da companhia cresce entre 30% e 35% ao ano.
A evolução do negócio também reduziu o peso da atividade que deu origem ao nome da empresa. Criada para oferecer recargas de celular e bilhetes de transporte público, a RecargaPay passou a atuar com pagamento de contas, produtos via Pix, crédito e cartões. Atualmente, as recargas representam menos de 1% da receita e do volume transacionado.
O crédito tornou-se a principal porta de entrada: 80% dos novos clientes utilizam o empréstimo como primeiro produto. Entre esses usuários, 32% contratam outro serviço, principalmente cartão de crédito ou tap to pay, ainda no mesmo mês. Para apoiar a concessão de recursos, a fintech utiliza dados do Open Finance e está entre as 20 instituições que mais recebem informações de outras empresas do sistema, segundo o ranking do Banco Central.
Outra frente de crescimento é o tap to pay, tecnologia que transforma o celular em terminal de pagamento sem a necessidade de uma maquininha. Em agosto, a modalidade movimentou R$ 300 milhões na plataforma, com a versão para iPhone — lançada dois meses antes — respondendo por um terço do volume. Nos aparelhos Android, o crescimento mensal está em torno de 35%.
A companhia decidiu concentrar sua estratégia nesse modelo e não realizou investimentos relevantes em terminais físicos. “Isso dá à RecargaPay uma vantagem sobre concorrentes que têm parques enormes de equipamentos. Muitas vezes, eles não podem colocar o pé no acelerador como nós podemos”, afirma Gilmar Hansen, vice-presidente sênior de Produto.
A obtenção da licença do Banco Central para operar como sociedade de crédito, financiamento e investimento, no fim de 2024, também permitiu à empresa lançar CDBs próprios. O instrumento oferece uma fonte de captação mais barata e reduz a dependência de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.
A expansão dos negócios foi acompanhada por uma redução de 20% no quadro de profissionais, que passou de 600 pessoas no começo de 2025 para 480. Segundo os executivos, o movimento decorreu de mudanças no atendimento, reorganização das equipes, eliminação de funções duplicadas e do avanço da inteligência artificial.
Fonte original: LIDE



