Seminário apoiado pelo Sebrae reúne agentes do poder público e sociedade civil para debater gestão ambiental | ASN Distrito Federal

Eventos climáticos extremos podem acontecer em qualquer lugar, inclusive em pequenos municípios que não têm estrutura, equipe ou recursos para responder na velocidade que a situação exige. Foi desse cenário que nasceu a ideia de promover o Seminário Nacional de Gestão Ambiental, iniciativa encampada pelo Instituto Veadeiros com apoio do Sebrae no Distrito Federal, e que ocorreu na última quarta-feira, 23 de setembro, no auditório da Associação Brasileira de Municípios (ABM), na Asa Sul.

O encontro reuniu gestores públicos, representantes de órgãos ambientais, especialistas em sustentabilidade, idealizadores de startups e membros de organizações da sociedade civil, com o objetivo de aproximar quem formula políticas públicas, quem enfrenta os problemas ambientais no dia a dia das prefeituras e quem desenvolve soluções para eles. A proposta foi sair do diagnóstico e chegar a propostas, parcerias e iniciativas com resultado mensurável, valorizando a troca entre quem vive realidades diferentes de uma mesma agenda.

Diretor administrativo do Instituto Veadeiros, Pedro Augusto Barbosa, apresentou um número que sustenta a necessidade do debate sobre gestão ambiental. Segundo ele, o seminário nasceu da constatação de que 87% dos municípios brasileiros têm menos de 50 mil habitantes e, na maioria dos casos, não contam com estrutura ou equipe adequadas para lidar com os fenômenos meteorológicos extremos.

Foto: Focus Produção de Imagem

Diante desse cenário, o dirigente ressaltou que há diferentes instituições que desenvolvem soluções viáveis para serem aplicadas nos municípios Brasil afora, mas carecem de apoio ou espaço de divulgação, fato que reforçou o propósito do Instituto Veadeiros de viabilizar a criação de um espaço para unir, em uma mesma mesa, instituições federais, estaduais, municipais, sociedade civil e centros de pesquisa para falar sobre a necessidade e urgência da gestão do meio ambiente.

Pedro Augusto atribuiu parte da viabilidade de realização do seminário ao apoio ofertado pelo Sebrae no Distrito Federal. “É uma instituição que possui uma capilaridade muito grande, consegue estar em todo o país apoiando, difundindo e levando fomento e informação para os pequenos empreendedores e para o restante da população. Portanto, vejo essa parceria como muito importante para o debate de temas relevantes para todos e, sobretudo, para sairmos de um diagnóstico para a ação”, afirmou.

O presidente do instituto, Pablo Rezende, destacou a importância das parcerias entre instituições e reforçou a fala de Pedro Augusto. Segundo ele, o principal entrave atual não é a falta de dados, tecnologia ou pesquisa, mas o abismo entre o conhecimento e a tomada de decisão.

Foto: Focus Produção de Imagem

“O Brasil já conta com dados, tecnologia, universidades, centros de pesquisa e sistemas de monitoramento, mas esse conhecimento só cumpre sua função quando chega às comunidades em tempo de evitar perdas. Um alerta sozinho não apaga o incêndio, uma previsão sozinha não evita uma enchente. A grande pergunta que deixo para este seminário é: o que fazemos depois de todas essas informações? Como transformamos o dado em decisão, a decisão em prevenção e a prevenção em política pública permanente?”, questionou.

Vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Municípios, Gilmar Dominici comentou a importância de sediar o seminário e destacou que o Brasil, com seus 5.569 municípios, é o ponto de partida para avançar na agenda climática. “A urgência desse tema, que vemos diariamente nos noticiários, exige uma atuação focada nos territórios. Como os problemas se materializam nas cidades, é junto aos municípios que podemos implementar soluções capazes de fazer, de fato, a diferença”, observou.

A programação foi organizada em quatro frentes de discussão, desdobradas em painéis temáticos ao longo do dia. Entre eles, o diagnóstico dos impactos do El Niño e das mudanças climáticas nos municípios, com estratégias de governança para resposta a desastres; a apresentação de soluções práticas para a gestão ambiental municipal, com experiências de órgãos federais, institutos de pesquisa e consultorias técnicas; e o debate sobre financiamento da adaptação climática, com participação de bancos, empresas e prefeituras.

O seminário trouxe ainda o lançamento do Programa Nacional de Inteligência Climática Municipal, em formato de mini talks, além de discussões sobre o papel da educação e da tecnologia no desenvolvimento sustentável e sobre soluções tecnológicas para a gestão administrativa local.

As atividades foram encerradas com um ato dedicado a consolidar compromissos e estratégias de continuidade das ações discutidas ao longo do dia.

O analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF, Tiago Gammaro, avaliou de forma positiva o apoio ofertado à realização do seminário e, como gestor do Pró-Catadores na instituição, frisou que o propósito do seminário está alinhado ao objetivo de fortalecer a gestão de resíduos sólidos e promover a inclusão socioeconômica de catadores de materiais recicláveis.

Foto: Focus Produção de Imagem

“Preservar o meio ambiente é um tema prioritário para o Sebrae no DF, e isso se reflete diretamente nas ações que promovemos por meio do Pró-Catadores. Entendemos que os catadores são verdadeiros gestores ambientais e, ao apoiarmos estes profissionais, promovemos a inclusão socioeconômica, impulsionamos a economia circular, viabilizamos, o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos e reafirmamos nosso compromisso enquanto instituição com o desenvolvimento sustentável”, concluiu Tiago.

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Fonte original: Agência Sebrae DF

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