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ey-brasil-foto-donato-profile-2025Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina. (Foto: Divulgação)

A reforma tributária tornou-se o principal desafio externo para os executivos brasileiros nos próximos três anos, citada por 38% dos participantes de uma pesquisa da EY. O tema superou preocupações como cenário econômico global, mudanças no comportamento dos clientes e riscos específicos de cada setor, todos com 27% das respostas.

O levantamento ouviu 1.988 diretores e executivos de alto escalão em 18 países da América Latina, incluindo 214 profissionais no Brasil. Entre os respondentes brasileiros, também aparecem como desafios o cenário econômico local, com 26%; a entrada de novos concorrentes e produtos substitutos, com 25%; e a incerteza política, com 22%.

Para Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina, os resultados indicam que a reforma deixou de ser uma questão exclusivamente fiscal e passou a integrar a estratégia das empresas. Com a incorporação da CBS e do IBS às obrigações e aos documentos fiscais, a transição exigirá a participação conjunta das áreas tributária, financeira, comercial, jurídica, de compras e de tecnologia.

“A reforma afeta todas as empresas, mas seus impactos não serão iguais. O risco está em tratá-la apenas como uma obrigação fiscal, sem avaliar as consequências sobre precificação, contratos, créditos tributários, capital de giro, dados e arquitetura de ERP”, afirma. Segundo Donato, as organizações que anteciparem essas decisões poderão proteger suas margens durante a transição.

A posição da reforma à frente da concorrência também revela uma agenda empresarial mais concentrada na adaptação do que na diferenciação. Na avaliação do executivo, as companhias precisam evitar que o esforço dedicado às mudanças regulatórias reduza a atenção às transformações da demanda, do comportamento dos clientes e do ambiente competitivo.

No ambiente interno, melhorias operacionais, produtividade e custos lideram as preocupações, com 35% das respostas. Em seguida aparecem crescimento da participação de mercado, com 31%; tecnologia e transformação digital, com 29%; estratégia e transformação dos negócios, com 25%; e liquidez, gestão financeira e controles internos, com 19%.

“Eficiência e crescimento não podem ser tratados como agendas concorrentes”, diz Donato. Para ele, as empresas devem buscar produtividade estrutural por meio da simplificação de processos, automação, integração de dados, gestão de fornecedores e direcionamento de recursos para ofertas e canais de maior retorno.

A tecnologia também ocupa espaço central nas projeções para os próximos três anos. Inovação, produtividade impulsionada por tecnologia e transformação digital aparecem empatadas, com 86% das menções. Cibersegurança, proteção de dados e uso transversal das informações pela organização receberam 79%, enquanto a adaptação às novas regulamentações foi apontada por 75%.

Entre as tecnologias disruptivas, a inteligência artificial avançada e os sistemas autônomos lideram as expectativas, com 89%. Apesar do interesse, somente 31% dos executivos afirmam que suas empresas já implementaram IA em áreas específicas; 28% ainda conduzem projetos-piloto e 21% permanecem nas etapas iniciais de pesquisa e avaliação.


Fonte original: LIDE

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