José Sócrates quer anular as sessões de julgamento da Operação Marquês em que participou a advogada oficiosa, Ana Velho.
Segundo a SIC Notícias, que avança com a notícia, o arguido acusa Ana Velho de não ter lido a acusação e nem sequer ter levantado o processo no portal Citius.
“Viu ao menos a acusação? A decisão instrutória de 4000 páginas? O recurso dessa decisão? O aresto que na Relação de Lisboa decidiu esse recurso? Teve, ou tem, alguma noção da importância relativa da prova produzida, hoje e ontem, ante o seu completo mutismo, quanto à matéria em debate?”, lê-se num documento, assinado pelo advogado José Preto e que a SIC Notícias mostrou em direto.
Recorde-se que Ana Velho foi nomeada quando o então advogado José Preto ficou doente e impossibilitado de representar o antigo primeiro-ministro que antes era defendido por Pedro Delille.
“A minha situação clínica foi usada para fragilizar a defesa”
Em declarações à RTP, José Preto afirmou que não podia “consentir” que o facto de estar com uma pneumonia – e de, inclusive ter estado internado no Hospital Santa Maria, em Lisboa – fosse usado como uma forma de fragilizar a defesa a que Sócrates tem direito: “Designadamente, pela nomeação de um defensor oficioso, que não pode ter conhecimento, por mais que o quisesse ter tido, de 300 mil folhas de processo e 400 horas de gravação”, explicou.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, lembra a SIC Notícias, que no primeiro semestre deste ano podem prescrever os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
O julgamento decorre desde 3 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sido alvo de diversos adiamentos e peripécias.
Leia Também: Supremo concede escusa a juiz que foi subordinado de Sócrates



