O gabinete do procurador-geral de Rhode Island divulgou um novo vídeo do português Cláudio Neves Valente, que assassinou dois estudantes na Universidade de Brown, nos Estados Unidos, e, posteriormente, matou o físico português Nuno Loureiro. Acredita-se que as imagens foram gravadas imediatamente após o tiroteio na faculdade.
A gravação, que foi obtida pela ABC News depois de um pedido de acesso a informações pública, parecem mostrar o momento em que Valente, de 48 anos, fugiu do campus da Universidade de Brown após o tiroteio.
As imagens foram captadas por uma câmara de um autocarro da Brown, no dia 13 de dezembro, ao final da tarde. Claudio Valente surge a caminhar numa zona de estacionamento, próximo do edifício Barus and Holley, onde se situa o departamento de Física da universidade da Ivy League.
O português está com a mão direita no bolso enquanto atravessa a Hope Street, parecendo despreocupado e em direção a um bairro residencial nas proximidades.
O gabinete do procurador-geral de Rhode Island acredita que este vídeo tenha sido gravado logo após o tiroteio, de acordo com a ABC News.
De recordar que Cláudio Neves Valente foi encontrado morto, no dia 18 de dezembro, num armazém em Salem, New Hampshire, depois de ter tirado a própria vida.
O português suspeito de matar dois estudantes da Universidade Brown e um compatriota professor do MIT, Nuno Loureiro, confessou os crimes em vários vídeos encontrados pelas autoridades no armazém onde o seu corpo foi descoberto.
A transcrição de aproximadamente 1.600 palavras, divulgada pelo gabinete da procuradora federal de Massachusetts, Leah B. Foley, revela o que foi dito por Neves Valente ao longo de quatro curtos vídeos, que totalizam cerca de 11 minutos.
A transcrição começa com o suspeito a queixar-se de uma lesão ocular que sofreu num dos tiroteios, revelando que chegou a considerar usar óculos durante o ataque, mas que temia que estes embaciassem.
“Sinceramente, o meu único arrependimento é essa coisa no olho”, afirma, e depois ri-se. “Parece que estou a começar a ver um pouco melhor num dos olhos, mas muito pouco ou quase nada.”
“Não gostava de nenhum de vocês… não me arrependo”
Ainda de acordo com as transcrições, Neves Valente revela alguma insatisfação quanto à forma como os eventos se desenrolaram, mas recusa sentir remorsos.
“Que azar… Eu não gostava de nenhum de vocês. Dizer que fiquei extremamente satisfeito, não, mas também não me arrependo do que fiz”, afirma ele. “Foi tudo um pouco incompetente, mas pelo menos alguma coisa foi feita.”
Apesar de não apresentar nenhuma motivação para os assassinatos, o atirador assume que precisava “de um catalisador” para os crimes.
“Mas, no primeiro caso, foi o facto de eu ter sido confrontado, e no segundo, eu também tive um, digamos, pequeno confronto. Então…”, disse ele antes do vídeo terminar.
“O único objetivo era sair mais ou menos nos meus próprios termos, e já estava muito atrasado”, diz Neves Valente noutra das gravações, acrescentando que não queria ser quem acabasse “a sofrer mais com isto tudo”.
Os vídeos deixados por Cláudio Neves Valente revelam ainda que este ficou insatisfeito pelo facto de o ataque perpetrado na Universidade Brown tenha ocorrido num auditório.
“Eu queria tê-lo feito numa sala normal”, confessou. “E tive muitas oportunidades, especialmente neste semestre, tive muitas oportunidades, mas acabei sempre por desistir.”
Os comentários deixam claro, também, que o português acompanhou as notícias nos dias seguintes: nega ter feito qualquer comentário religioso no âmbito dos ataques e responde a Trump quando este se referiu aos imigrantes como “animais”.
“Chamou-me de animal, o que é verdade. Eu sou um animal e ele também é.”




