Afinal, o primeiro caso de infeção por Candida auris em Portugal foi identificado em 2022 e não em 2023, como se noticiou nos últimos dias, esclareceu esta quinta-feira o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
Na terça-feira, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revelou que uma equipa de investigadores estudou os primeiros casos confirmados em Portugal de infeção por Candida auris, um fungo resistente a medicamentos considerado uma ameaça à saúde pública global, em 2023.
Em comunicado, o INSA revela agora que o primeiro caso de infeção por Candida auris em Portugal foi identificado pelo Laboratório Nacional de Referência (LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas do seu Departamento de Doenças Infeciosas, em 2022.
“Esta evidência científica encontra-se devidamente documentada no artigo intitulado ‘Candida auris in Intensive Care Setting: The First Case Reported in Portugal’, publicado em agosto de 2023 no Journal of Fungi”, revela ainda o INSA, acrescentando que o caso relatado em 2022 “não constitui o único identificado” por aquele instituto, “uma vez que entre 2022 e 2025, o LNR confirmou anualmente casos de infeção por C. auris em amostras clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das Regiões de Saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo”.
No mesmo comunicado, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge explica que as estirpes deste fungo foram “alvo de identificação molecular direta para confirmação da espécie, de determinação do perfil de suscetibilidade a antifúngicos e de análise genómica por next generation sequencing (NGS) para caracterização mais detalhada”.
O instituto esclarece ainda que, embora Candida auris não faça parte do conjunto de microrganismos de declaração obrigatória no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), o LNR do INSA reporta os casos que identifica ao Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) da Direção-Geral da Saúde e, através deste, às instituições Europeias, nomeadamente ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).
Candida auris é “um fungo oportunista humano que se disseminou rapidamente por vários países e continentes, e que tem sido associado a um elevado número de surtos nosocomiais”. As infeções têm aumentado progressivamente nas últimas décadas e tornaram-se uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em pacientes em cuidados intensivos.
Este fenómeno está associado principalmente ao aumento da taxa de procedimentos invasivos, ao uso extensivo de antimicrobianos de amplo espectro, à maior taxa de pacientes imunocomprometidos internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), e ao tempo de permanência na UCI, explica ainda o INSA.
A Candida auris foi identificada pela primeira vez em 2009, no Japão. Foram reportados 1.812 casos na União Europeia entre 2013 e 2021, com o último surto a ter sido registado em 2019-2021 no norte de Itália, com pelo menos 277 casos, alguns deles em pacientes com infeções graves por Covid-19.
A taxa de mortalidade é estimada entre 30% e 72%, mesmo em pacientes que recebem tratamento antifúngico.



