Ricardo Galvão, diretor do Inpe será exonerado do cargo

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O anúncio foi feito pelo próprio Ricardo Galvão, que dirige o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desde 2016

Após a polêmica sobre dados do desmatamento na Amazônia, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, será exonerado do cargo. O anúncio foi feito pelo próprio Galvão, que se reuniu na manhã desta sexta-feira (2/7) com o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes. O diretor foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro, que considerou “mentirosos” os dados apurados pelo instituto.

Ao falar com a imprensa, Galvão disse que a conversa com Pontes foi cordial e que, após as polêmicas envolvendo dados do desmatamento, medidos pelo Inpe, e a troca de críticas entre ele e o presidente Jair Bolsonaro, sua permanência no instituto ficou “insustentável”. “A maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou-se um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”, afirmou.
As críticas do presidente a Galvão começaram em 19 de julho, quando Bolsonaro foi questionado, durante um café da manhã com jornalistas, sobre dados preliminares de satélites do Inpe que apontaram um aumento de 88% no desmatamento da Floresta Amazônica em junho, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O presidente disse que os números estavam errados e sugeriu que o diretor poderia estar a “serviço de alguma ONG”.
A resposta de Galvão veio por meio de uma entrevista ao Jornal Nacional, no dia seguinte, quando ele disse que Bolsonaro tinha um comportamento parecido com o que está em um “botequim”. “Ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas. Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer”, disse.

Governo apresentará novos dados

Na quinta-feira (1º/8), o governo apresentou estudos que contrariam o índice. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a metodologia utilizada acumula ocorrências de outros períodos, por isso a expansão calculada em 88% na devastação da floresta amazônica não corresponde à verdade. Apesar de não apresentarem o número considerado real, o ministro e o presidente Bolsonaro garantiram que o aumento no desmatamento foi muito menor. Para especialistas, o questionamento do governo pode afetar a credibilidade do monitoramento da Amazônia feito pelo Brasil.

Nesta sexta-feira, Galvão não quis discutir novamente os números com jornalistas. Mas afirmou que o ministro disse a ele confiar nas medições feitas pelo instituto. O diretor acrescentou que sugeriu um nome para substituí-lo, mas que a decisão caberá a Pontes.
Fonte: Correio Braziliense

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