Brasil e EUA sinalizam que não vão mais cortar os juros em 2019

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Expectativa é de nova queda em dezembro, para 4,5%. Estados Unidos também reduzem juros, diminuindo a diferença entre a taxa dos dois países. Especialistas consideram que não haverá fuga de capital para economias com menos risco

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (30/10), por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros Selic, em 0,5 ponto porcentual, de 5,5% para 5% ao ano. É o terceiro corte este ano — de 6,5% para 6% em julho e para 5,5% em setembro —, atingindo o piso histórico desde 1999, quando o BC iniciou o regime de metas da inflação.

O banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), cortou, também nesta quarta-feira (30/10), pela terceira vez seguida, os juros básicos em 0,25 ponto percentual, ficando entre 1,5% e 1,75%. Com isso, a diferença entre as taxas dos dois países diminuiu e pode chegar a apenas 3 pontos, já que o Copom disse, em comunicado, que deve cortar mais 0,5 ponto, e a Selic deve fechar o ano em 4,5%.
As duas autoridades monetárias sinalizaram que, em 2020, não haverá mais cortes. Segundo o Copom, no cenário com expectativas de câmbio e inflação ancoradas, “supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,5% ao ano, deve permanecer nesse patamar ao longo de 2020 e se eleva até 6,38% ao ano em 2021”. “Indicadores da atividade econômica reforçam a continuidade da recuperação da economia em ritmo gradual”, justificou no comunicado.
A autoridade monetária afirmou que, no ambiente externo, estímulos monetários nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, é “relativamente favorável” para países. “Entretanto, o cenário segue incerto, e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem”, ressaltou. O BC também assinalou fatores de risco doméstico, como “uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira”.
O Fed, por sua vez, cortou juros, mas não de forma unânime. Dois diretores — Esther L. George e Eric S. Rosengren — votaram pela manutenção da taxa. No comunicado, a autoridade monetária norte-americana disse que continuará a monitorar as perspectivas econômicas, mas retirou a frase “agir conforme o apropriado para sustentar o crescimento”, que constava no documento publicado na reunião anterior.

Pausa

Para Marcelo Kfoury, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), ao tirar tal expressão, o Fed sinaliza uma pausa nos cortes de juros. Segundo ele, o chairman do Fed, Jerome Powell, afirmou que os riscos de desaceleração da economia diminuíram. “A taxa de desemprego está no menor índice dos últimos 50 anos, talvez nem fosse necessário cortar juros nos EUA”, analisou.

Kfoury explicou que, com a Selic em 4,5% no fim do ano, a diferença entre as taxas dos países vai cair para 3 pontos percentuais, dos quais 1,2 é Risco Brasil, hoje em 120 pontos. “Portanto, sobra 1,8 ponto e, como a inflação no Brasil é mais alta, a diferença do juro real fica um pouco maior. Ainda há atratividade em renda variável e na Bolsa, investimentos que pagam juros mais altos. Apesar de as duas taxas nunca terem estado tão próximas, acredito que não vai haver fuga de capitais do Brasil”, acrescentou.

No entender do professor e coordenador do curso de economia da FGV, Joelson Sampaio, a mensagem dos dois países é a mesma: tirar dinheiro do sistema financeiro e injetar na economia para buscar uma reação do crescimento. “Para isso, no entanto, não basta cortar juros. Há um conjunto de fatores que impactam a confiança dos investidores. No Brasil, são a continuidade das reformas, um ambiente político mais tranquilo e avanços na questão fiscal”, enumerou.

De acordo com o superintendente de assessoria econômica da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Gonçalves, com a debilidade fiscal, restringindo os investimentos do governo, e a desaceleração sincronizada do comércio mundial, “restam os estímulos monetários para impulsionar a atividade”.

Marcel Balassiano, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, lembrou que a economia está fraca, porque sofreu choques. “Tivemos a greve dos caminhoneiros, incertezas políticas e a crise da Argentina, que tem potencial de tirar meio ponto do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. “O crescimento estimado de 1,1% poderia ser de 1,6%”, ressaltou. “Como há incerteza global, o Brasil tem que fazer sua parte, além da política monetária: tocar as reformas e reduzir o alto desemprego”, defendeu.

Repercussão

Os argumentos do Copom em seu comunicado repercutiram no mercado. O economista-chefe da Necton, André Perfeito, mudou a projeção para a Selic. “Antes trabalhávamos com mais um corte de 50 pontos-base, fazendo a taxa chegar a 4,5% em dezembro e depois parando. Agora vemos espaço para mais um corte de 25 pontos-base na reunião de fevereiro de 2020, levando os juros a 4,25% e finalizando o ciclo de corte da taxa básica”, disse.

Apesar do alto spread bancário (a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e quanto cobra para emprestar dinheiro), o anúncio do Copom provocou queda nas taxas oferecidas ao consumidor. O Itaú Unibanco informou que repassará integralmente o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica em linhas de crédito. “O corte para pessoa física será no empréstimo pessoal, enquanto para pessoa jurídica, no capital de giro. Os novos valores passam a valer a partir de segunda-feira e variam de acordo com o perfil do cliente e seu relacionamento com o banco”, disse, em nota.

SOBRE NÓS

Fomos muito além da notícia e criamos um portal especialmente para você. Somos um portal onde a política e o entretenimento divide espaço, para deixar você o dia inteiro muito bem informando sobre tudo o que rola nos bastidores da política, do entretenimento e até mesmo da economia.

POSTS RECENTES

FACEBOOK

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com